quarta-feira, 5 de novembro de 2008




SONETO


" Ontem, quanto, soberbo, escarnecias dessa minha paixão louca, suprema,

E no teu lábio, essa rosa da algema, a minha vida, gélida prendias...

Eu meditaca em loucas utopias, tentava resolver grave problema...
- Como engastar tua alma num poema? E eu não chorava quando tu te rias...
Hoje, que vives desse amor ansioso e não és meu, nenhum pouco meu, extraordinária sorte,
Hoje eu sou triste sendo tão ditosa!...
E tremo e choro, pressentindo, forte
Vibrar, dentro em meu peito, fervoroso,
Esse excesso de vida, que é a morte"








AMOR VIVO


AMAR! Mas d'um amor que tenha vida...
Não sejam sempre tímidos harpejos,
Não sejam só delírios e desejos
D'uma doida cabeça escandecida...

Amor que via e brilhe ! luz fundida
Que penetre o meu ser - e não só beijos
Dados no ar - delírios e desejos -Mas amor... dos amores que têm vida...


Sim, vivo e quente! e já a luz do dia não virá dissipá-los nos meus braços
Como névoa da vaga fantasia...

Nem murchará o sol á chama erguida...
Pois que podem os astros dos espaços
Contra uns débeis amores... se têm vida?