quinta-feira, 6 de novembro de 2008


TEUS OLHOS


Seus olhos tão castanhos, tão belos, tão puros,de vivo luzir,
Estrelas incertas, que as águas dormentes do mar vão ferir;
Seus olhos tão castanhos, tão belos, tão puros, têm meiga expressão,
Mais doce que a brisa, — mais doce que o nauta
De noite cantando, — mais doce que a frauta
Quebrando a solidão,
Seus olhos tão castanhos, tão belos, tão puros, de vivo luzir,
São meigos infantes, gentis, engraçados brincando a sorrir.
São meigos infantes, brincando, saltando em jogo infantil,
Inquietos, travessos; — causando tormento,
Com beijos nos pagam a dor de um momento,
Com modo gentil.
Seus olhos tão castanhos, tão belos, tão puros,
Assim é que são; Às vezes luzindo, serenos, tranquilos,
Às vezes vulcão! Às vezes, oh! sim, derramam tão fraco,
Tão frouxo brilhar, que a mim me parece que o ar lhes falece,
E os olhos tão meigos, que o pranto humedece me fazem chorar.
Assim lindo infante, que dorme tranquilo,
Desperta a chorar; e mudo e sisudo, cismando mil coisas,
Não pensa — a pensar.
Nas almas tão puras da virgem, do infante,
Às vezes do céu cai doce harmonia duma
Harpa celeste, um vago desejo; e a mente se veste
De pranto co'um véu.
Quer sejam saudades, quer sejam desejos
Da pátria melhor;
Eu amo seus olhos que choram em causa
Um pranto sem dor.
Eu amo seus olhos tão castanhos, tão puros,
De vivo fulgor;
Seus olhos que exprimem tão doce harmonia,
Que falam de amores com tanta poesia,
Com tanto pudor.
Seus olhos tão castanhos, tão belos, tão puros,
Assim é que são;
Eu amo esses olhos que falam de amores
Com tanta paixão.