terça-feira, 18 de novembro de 2008



A avenida das lágrimas


Quando a primeira vez a harmonia secreta
De uma lira acordou, gemendo, a terra inteira,
- Dentro do coração do primeiro poeta
Desabrochou a flor da lágrima primeira.
E o poeta sentiu os olhos rasos de água;
Subiu-lhe â boca, ansioso, o primeiro queixume:
Tinha nascido a flor da Paixão e da Mágoa,
Que possui, como a rosa, espinhos e perfume.
E na terra, por onde o sonhador passava,
Ia a roxa corola espalhando as sementes:
De modo que, a brilhar, pelo solo ficava
Uma vegetação de lágrimas ardentes.
Foi assim que se fez a Via Dolorosa,
A avenida ensombrada e triste da Saudade,
Onde se arrasta, à noite, a procissão chorosa
Dos órfãos do carinho e da felicidade.
Recalcando no peito os gritos e os soluços,
Eu conheço bem essa longa avenida,
- Eu que, chorando em vão, me esfalfaste, de bruços,
Para, infeliz, galgar o Calvário da Vida.
Teu pé também deixou um sinal neste solo;
Também por este solo arrastaste o teu manto...
E,a harpa infeliz que sustinhas ao colo,
Passou para outras mãos, molhou-se de outro pranto.
O aroma dessa flor, que o meu martírio encerra,
Se imortalizará, pelas almas disperso:
- Porque purificou a torpeza da terra
Quem deixou sobre a terra uma lágrima e um verso.



O resultado dá tristeza de hoje foi uma avenida de lágrimas...
só queria saber o que eu fiz pra merecer isso.
Agora realmente não sei o que faço...

Canção

Canção

(Cecília Meireles)


Nunca eu tivera querido
Dizer palavra tão louca:
bateu-me o vento na boca
e depois no teu ouvido.

Levou somente a palavra,
deixou ficar o sentido.
O sentido está guardado
no rosto com que me miro,
neste perdido suspiro
que te segue alucinado,
no meu sorriso suspenso
como um beijo malogrado.

Nunca ninguém viu ninguém
que o amor pusesse tão triste.

Essa tristeza não viste,e eu sei que ela se vê bem...

Só se aquele mesmo vento fechou teus olhos, também...

hoje fiquei triste pois o meu coração foi magoado.