Vinicius de Moraes
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
CÂNTICO
Não, tu não és um sonho, és a existência tens carne, tens fadiga e tens pudor
No calmo peito teu. Tu és a estrela sem nome, és a morada, és a cantiga
Do amor, és luz, és lírio, namorado! tu és todo o esplendor, o último claustro
Da elegia sem fim, anjo! mendigo do triste verso meu.
Ah, fosses nunca meu, fosses a idéia, o sentimento em mim, fosses a aurora, o céu da aurora Ausente, amigo, eu não te perderia! Amado! onde te deixas, onde vagas entre as vagas flores? e por que dormes entre os vagos rumores do mar?
Tu primeiro, último, trágico, esquecido De mim! És lindo, és alto! és sorridente és como o verde do trigal maduro teus olhos têm a cor do firmamento
Céu castanho da tarde ah– são teus olhos! teu passo arrasta a doce poesia do amor! prende o poema em forma e cor no espaço; para o astro do poente és o levante, és o Sol! eu sou o giro O giro, o girassol.
És o soberbo também, és rápido também, como a andorinha! doçura! lisa e murmurante... a água que corre no chão morno da montanha és tu; tens muitas emoções; o pássaro do trópico inventou teu meigo nome duas vezes, de súbito encantado!dono do meu amor! sede constante do meu corpo de mulher! melodia da minha poesia extraordinária!
Por que me arrastas? Por que me fascinas?Por que me ensinas a morrer? teu sonho me leva o verso à sombra e à claridade.
Sou tua irmã, és meu irmão; padeço de ti, sou tua cantora humilde e terna
Teu silêncio, teu trêmulo sossego triste, onde se arrastam nostalgias melancólicas, ah, tão melancólicas...
Amigo, entra de súbito, pergunta por mim, se eu continuo a amar-te; ri esse riso que é tosse de ternura carrega-me em teu peito, louco! sinto a infância em teu amor! cresçamos juntos como se fora agora, e sempre; demos nomes graves às coisas impossíveis recriemos a mágica do sonho lânguida!
Ah, que o destino nada pode contra esse teu langor; és o penúltimo lirismo! encosta a tua face fresca sobre o meu seio nu, ouves? é cedo quanto mais tarde for, mais cedo! A calma é o último suspiro da poesia o mar é nosso, e recende mais puro ao seu chamado. Oh, deixa-me brincar, que te amo tanto que se não brinco, choro, e desse pranto desse pranto sem dor, que é o único amigo das horas más em que não estás comigo.
No calmo peito teu. Tu és a estrela sem nome, és a morada, és a cantiga
Do amor, és luz, és lírio, namorado! tu és todo o esplendor, o último claustro
Da elegia sem fim, anjo! mendigo do triste verso meu.
Ah, fosses nunca meu, fosses a idéia, o sentimento em mim, fosses a aurora, o céu da aurora Ausente, amigo, eu não te perderia! Amado! onde te deixas, onde vagas entre as vagas flores? e por que dormes entre os vagos rumores do mar?
Tu primeiro, último, trágico, esquecido De mim! És lindo, és alto! és sorridente és como o verde do trigal maduro teus olhos têm a cor do firmamento
Céu castanho da tarde ah– são teus olhos! teu passo arrasta a doce poesia do amor! prende o poema em forma e cor no espaço; para o astro do poente és o levante, és o Sol! eu sou o giro O giro, o girassol.
És o soberbo também, és rápido também, como a andorinha! doçura! lisa e murmurante... a água que corre no chão morno da montanha és tu; tens muitas emoções; o pássaro do trópico inventou teu meigo nome duas vezes, de súbito encantado!dono do meu amor! sede constante do meu corpo de mulher! melodia da minha poesia extraordinária!
Por que me arrastas? Por que me fascinas?Por que me ensinas a morrer? teu sonho me leva o verso à sombra e à claridade.
Sou tua irmã, és meu irmão; padeço de ti, sou tua cantora humilde e terna
Teu silêncio, teu trêmulo sossego triste, onde se arrastam nostalgias melancólicas, ah, tão melancólicas...
Amigo, entra de súbito, pergunta por mim, se eu continuo a amar-te; ri esse riso que é tosse de ternura carrega-me em teu peito, louco! sinto a infância em teu amor! cresçamos juntos como se fora agora, e sempre; demos nomes graves às coisas impossíveis recriemos a mágica do sonho lânguida!
Ah, que o destino nada pode contra esse teu langor; és o penúltimo lirismo! encosta a tua face fresca sobre o meu seio nu, ouves? é cedo quanto mais tarde for, mais cedo! A calma é o último suspiro da poesia o mar é nosso, e recende mais puro ao seu chamado. Oh, deixa-me brincar, que te amo tanto que se não brinco, choro, e desse pranto desse pranto sem dor, que é o único amigo das horas más em que não estás comigo.
Adaptação Crys Lira.
