terça-feira, 4 de novembro de 2008

O CATIVO


O CATIVO

Como era lindo, meu Deus! Não tinha da neve a cor,

Mas no moreno semblante brilhavam raios de amor.

Ledo o rosto, o mais formoso, de trigueira coralina,

De Anjo a boca, os lábios breves cor de pálida cravina
Em carmim rubro engastados tinha os dentes cristalinos;
Doce a voz, qual nunca ouviram dúlios barbos matutinos.
Seus ingênuos pensamentos são de amor juras constantes;
Entre nuvem das pestanas tinha dois astros brilhantes.
As madeixas crespas negras, dele algo diziam
Tudo nele dizia, mostrava e era algo profundo e arredio.
Tinha rosto acetinado era o corpo uma pintura-
E no peito palpitante um sacrário de ternura.
Límpida alma- flor singela pelas brisas embalado,
ao dormir dálvas estrelas, ao nascer da madrugada.
Quis beijar-lhe os lábios divinos, afastou-mos - não consente;
A seus pés de rojo pus-me- tanto pode o amor ardente!
Não te afastes lhe suplico, és do meu peito dono todinho;
Não te afastes, neste peito tens um trono mulatinho!...
Vi-lhe as pálpebras tremerem, como treme a flor louçã.
Embalando as níveas gotas dos orvalhos da manhã.
Qual na rama enlanguescido pudibunda sensitivo,
Suspirando ele murumura; Ai, senhora, eu sou cativo!...
Deu-,e as costas, foi-se embora qualda tarde do arrebol
foge a sombra de uma nuvem ao cair da lus do sol.


Poema A cativa de Luís da Gama, adaptação Crys Lira